A quatro meses da eleição presidencial no São Paulo, as chapas políticas se movimentam nos bastidores para as articular as respectivas candidaturas ao pleito. A votação que definirá o novo presidente do Tricolor está marcada, inicialmente, para a primeira quinzena do mês de dezembro.
A eleição irá definir quem será o presidente do São Paulo no triênio 2027-2029. O atual colegiado, composto por cerca de 260 conselheiros, será o grande responsável por decidir o novo mandatário. Eles são divididos em nove grupos políticos, além dos independentes.
Dois nomes da oposição estão bem encaminhados para disputarem a cadeira presidencial tricolor em dezembro: Rogério Caboclo, advogado, ex-presidente da CBF entre 2018 e 2023 e conselheiro vitalício do São Paulo, e Marcelo Portugal Gouvêa, também advogado, conselheiro vitalício e integrante do grupo Salve o Tricolor Paulista.
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— São Paulo FC (@SaoPauloFC) August 5, 2026
Por outro lado, a situação, ao lado do presidente Harry Massis Júnior, ainda não definiu qual candidato irá lançar ao cargo, mas Adilson Alves surge como nome forte para tal. A tendência é que Massis cumpra seu mandato até dezembro, mas não se candidate novamente.
Atualmente, vale lembrar, seis dos nove grupos políticos são apoiadores da atual gestão: Vanguarda, Legião, Participação, Sempre Tricolor, Somos SPFC e Super. Já a oposição é formada por Força, Salve o Tricolor Paulista e Novo São Paulo.
Presidente do CD apoia Caboclo
A eventual candidatura de Rogério Caboclo, embora não oficializada, já conta com um adepto. O ex-presidente da CBF tem o apoio de Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo e que faz parte da chapa Força São Paulo.
Em vídeo divulgado pelo jornalista Ramoni Artico na última quarta-feira, Olten Ayres aparece em uma reunião realizada na casa de Caboclo. A conversa ainda contou com a participação de Cleo Prado, atual diretora de futebol feminino do São Paulo, mas no exercício de sua atuação como conselheira.
Por meio de nota oficial, Olten Ayres confirmou presença na conversa e praticamente assegurou a candidatura de Caboclo à presidência do São Paulo.
“Trata-se de uma posição política legítima, construída a partir de suas convicções e do diálogo com diferentes integrantes do Conselho Deliberativo”, disse o presidente do Conselho em nota enviada à imprensa. Veja, no pé do texto, o comunicado completo de Olten Ayres.
Rogério Caboclo, ex-presidente da CBF (Foto: Divulgação/Leandro Lopes)
Rogério Caboclo é conselheiro vitalício do São Paulo. O advogado presidiu a CBF de 2018 a 2023, quando foi afastado do cargo após denúncias de assédio sexual e moral. Além disso, foi diretor financeiro do clube paulista entre 2000 e 2002, na gestão do ex-presidente Paulo Amaral.
Oposição ‘confirma’ candidatura de Marcelo Portugal Gouvêa
Por meio de publicação nas redes sociais, o grupo Salve o Tricolor Paulista também já apontou quem deve ser o seu principal candidato: Marcelo Portugal Gouvêa. Ele tenta seguir os mesmos passos de seu pai, homônimo, que presidiu o clube entre 2002 e 2006.
Atuante na política do São Paulo desde 2004, Marcelo Portugal Gouvêa já foi eleito conselheiro, em 2008, conselheiro vitalício, em 2014, além de ter assumido o posto de diretor adjunto de futebol a pedido do então diretor de futebol Juvenal Juvêncio entre 2005 e 2009.
Veja a nota completa do grupo de Marcelinho:
“O grupo Salve o Tricolor Paulista esclarece que o vídeo postado recentemente nas redes sociais – sugerindo que o ex-presidente da CBF seria o candidato da oposição no São Paulo Futebol Clube – não conta com o apoio dos nossos coordenadores, que já demonstraram a intenção de lançar o conselheiro vitalício Marcelo Portugal Gouvea para o cargo.
O preparo, o caráter e a são-paulinidade de Marcelinho tornam-o, sem dúvidas, a melhor alternativa para o futuro do clube.
Reiteramos nosso compromisso com a transparência e a responsabilidade no debate político.
Coordenação – Salve o Tricolor Paulista“.
Marcelinho, como também é conhecido no clube, já foi diretor adjunto de futebol entre 2005 e 2009 (Foto: Divulgação)
Olten e Massis: em rota de colisão
Olten Ayres e Harry Massis estão em rota de colisão desde que Massis assumiu o clube em janeiro deste ano, após o afastamento inicial no Conselho e a consequente renúncia de Julio Casares. O presidente do Conselho Deliberativo é visto como um antigo aliado de Casares.
Ao assumir a cadeira presidencial, Massis buscou o afastamento de Olten Ayres da presidência do CD. Em abril, o presidente protocolou um pedido de expulsão de Olten do quadro associativo do São Paulo por suposta gestão temerária. No início de junho, a votação foi realizada, e os conselheiros reprovaram uma medida cautelar, sugerida pela Comissão de Ética, que poderia afastar Olten pelo período de 120 dias.
Massis, por sua vez, também enfrenta um pedido de expulsão, mas não protocolado por Olten Ayres. Um grupo de conselheiros requeriu a exclusão do presidente do quadro de associados do clube, além do afastamento liminar do dirigente, principalmente com base no transfer ban sofrido pelo clube em 21 de julho, o que poderia configurar possível gestão temerária. O documento foi enviado à Comissão de Ética e está sob análise dos membros.
Confira a nota completa de Olten Ayres:
“Olten Ayres e seu grupo político (Força São Paulo) confirmam a realização de um jantar na residência de Rogério Caboclo, com a presença de conselheiros do São Paulo Futebol Clube. O encontro integrou o diálogo político relacionado ao futuro do clube e às eleições previstas para o final do ano.
Olten e seu grupo político (Força São Paulo) confirmam também seu apoio à candidatura de Rogério Caboclo à presidência do São Paulo. Trata-se de uma posição política legítima, construída a partir de suas convicções e do diálogo com diferentes integrantes do Conselho Deliberativo.
As especulações divulgadas nas redes sociais sobre composição de chapas, indicação de candidatos a outros cargos e supostas divisões entre grupos políticos não correspondem a decisões formalmente tomadas no encontro e são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
A conselheira Cleo Prado participou do jantar no exercício de sua atuação como integrante do Conselho Deliberativo. Embora também ocupe o cargo de diretora do futebol feminino, função que desempenha com eficiência, seriedade e dedicação, ela mantém absoluta independência entre sua responsabilidade executiva e sua participação na vida política do clube.
Sua presença, portanto, não representou a Diretoria Executiva nem significou qualquer manifestação em nome da atual gestão.
Olten Ayres e seu grupo político consideram legítimo o debate político, a construção de candidaturas e a diversidade de posições dentro do São Paulo. Ao mesmo tempo, repudiam tentativas de desqualificação pessoal e manifestações ofensivas dirigidas a conselheiros pelo simples fato de participarem de um encontro político“.
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