O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) começou a ampliar, neste ano, o uso da metodologia Lean para os setores de Recursos Humanos do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A medida ocorre após os resultados obtidos em 2025 nas áreas assistenciais e de gestão do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e do próprio HRSM.
A metodologia, voltada à redução de etapas burocráticas, padronização de fluxos e melhor aproveitamento do tempo de trabalho, passa agora a atuar em áreas administrativas consideradas estratégicas. No RH, a expectativa do instituto é acelerar a reposição de profissionais, reduzir o volume de processos internos e garantir equipes mais organizadas, com reflexo direto no atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda neste ano.
A ampliação do Lean para o RH faz parte do processo de consolidação da metodologia dentro do IgesDF. Na prática, o modelo prevê a eliminação de rotinas excessivas, maior automatização de atividades administrativas e uma gestão mais eficiente do tempo e dos fluxos de trabalho. Com isso, os profissionais da área passam a dedicar mais atenção a demandas que exigem análise técnica, sensibilidade e tomada de decisão.
Segundo o diretor-presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, a eficiência administrativa tem impacto direto na assistência. Para ele, organizar processos internos é uma forma de proteger o cuidado ao paciente e garantir melhor uso dos recursos públicos. “Quando a instituição funciona de forma mais organizada, quem ganha é o cidadão. O objetivo é usar melhor o dinheiro público e manter o paciente como prioridade das decisões”, afirmou.
Os avanços que levaram à expansão do Lean foram registrados ao longo de 2025. No Centro Cirúrgico do Hospital de Base, onde a metodologia começou a ser implantada em agosto de 2023, o ano passado foi marcado por recordes de produção. Em maio, julho e setembro, a unidade ultrapassou a marca de 1,3 mil cirurgias em um único mês, o que representou aumento de cerca de 40% em relação ao período anterior à adoção do modelo.
No mesmo período, houve crescimento de 20% no início das primeiras cirurgias realizadas até as 7h30 e redução de 28% nos cancelamentos de procedimentos, ampliando o acesso da população às cirurgias eletivas.
No Hospital Regional de Santa Maria, o Lean passou a ser aplicado no centro cirúrgico geral e obstétrico em maio de 2024. Em 2025, a unidade registrou aumento de 10% no total de cirurgias, crescimento de 13% nos procedimentos ortopédicos e redução de 13% nos cancelamentos, mesmo diante de limitações estruturais enfrentadas pela unidade.
Os impactos também foram observados no Centro Obstétrico do HRSM. Tanto no pronto-socorro quanto na internação, houve aumento de 30% no número de gestantes atendidas e redução do tempo médio de internação. A implantação da rastreabilidade de medicamentos, a realização de reuniões multidisciplinares e a criação de fluxos exclusivos reduziram em até 80% o tempo de espera das pacientes para administração de medicação.
Para o superintendente da Qualidade e Melhoria de Processos do IgesDF, Clayton Souza, 2025 marcou um avanço importante na forma de gestão da instituição. Segundo ele, mais do que resultados pontuais, o Lean passou a ser tratado como prática permanente. “O principal ganho foi consolidar a melhoria contínua como parte da cultura do instituto. A metodologia vira um jeito de pensar e resolver problemas”, disse.
Além da assistência, o Lean avançou em áreas estratégicas de gestão e suporte. Um projeto-piloto no RH do Hospital Regional de Santa Maria, iniciado em agosto de 2025, reduziu em cerca de 80% a quantidade de processos tramitados para reposição de vagas. A expectativa do IgesDF é diminuir em aproximadamente 35% o tempo necessário para preencher postos de trabalho, sem aumento de custos.
Outro projeto em fase inicial é o de diálise peritoneal no Hospital de Base do Distrito Federal, que tem como objetivo ampliar, a partir de 2026, a oferta do procedimento e reduzir custos operacionais.
Para a coordenadora de Melhoria Contínua do IgesDF, Isabel Lima, os efeitos da metodologia já começam a ser percebidos fora da gestão. Segundo ela, os avanços têm sido notados por pacientes e acompanhantes, a partir de um atendimento mais organizado e eficiente. “Quando os processos melhoram, a experiência de quem utiliza o serviço também muda”, afirmou.
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