
Uma operação de alta complexidade mobilizou os sistemas de segurança e saúde do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul em uma corrida contra o relógio para salvar a vida de uma criança de apenas dois anos. Diagnosticado com encefalite viral — uma severa inflamação no cérebro —, o bebê precisava ser transferido com urgência de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Porto Alegre para o Hospital da Criança de Brasília José Alencar(HCB). A resposta, que costuma esbarrar na burocracia estatal, foi articulada em menos de 12 horas entre a noite de terça-feira, 26, e a manhã de quarta-feira, 27.
O sinal de alerta acendeu quando a Secretaria de Saúde de Porto Alegre, diante da gravidade do quadro e da necessidade de um centro de referência específico, acionou formalmente a gestão de saúde da capital federal. O pedido transitou rapidamente pela Secretaria de Segurança Pública do DF até chegar ao comando do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), que assumiu a logística do transporte aeromédico interestadual.
Para garantir que o fluxo de suporte à vida não fosse interrompido em nenhum momento do trajeto de quase 2 mil quilômetros, a madrugada de quarta-feira virou palco de uma força-tarefa silenciosa. Enquanto o Comando de Aviação desenhava rotas de voo que garantissem a máxima velocidade com segurança, uma equipe médica especializada se voluntariava para a missão. O avião Grand Caravan EX, batizado como Resgate 09 e configurado especificamente como uma UTI aérea, decolou de Brasília às 8h53, após o aval da governadora em exercício, Celina Leão.
A viagem exigiu paradas técnicas para reabastecimento em Maringá (PR), tanto na ida quanto na volta, transformando a missão em um xadrez de paciência e precisão técnica. A bordo, além de três pilotos, a estrutura contava com um médico e um enfermeiro de resgate aéreo e uma médica pediatra, prontos para intervir a qualquer oscilação dos sinais vitais da criança.
O sucesso da mobilização e o desprendimento dos profissionais foram destacados pelo Comandante do CBMDF, Coronel Moisés Alves Barcelos, que reforçou o orgulho institucional diante do desfecho positivo. “Ter a serviço da população do Distrito Federal um efetivo capaz de cumprir prontamente qualquer missão que lhe seja determinada e, acima de tudo, executá-la de forma voluntária, demonstrando não só capacidade técnica, mas também empatia e amor ao próximo, é motivo de orgulho para todos nós, Bombeiros Militares”, afirmou.
O pouso definitivo em solo brasiliense ocorreu no início da noite de quinta-feira, 28, às 18h05. Na pista do Aeroporto Internacional de Brasília, uma ambulância de suporte avançado já aguardava com as portas abertas. O desembarque rápido garantiu que a criança e sua mãe fossem encaminhadas sem sobressaltos ao HCB, encerrando uma jornada onde a integração entre diferentes esferas do poder público foi o fator decisivo entre o risco iminente e a chance de recuperação.
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